Órfãos do Playstation descobrem dependência dos jogos online
Publicado por Agência Iesb em 15/05/2011
“Por mais que jogar sozinho seja bom, nada se compara a uma jogatina com dezenas de pessoas via internet”, afirma usuário da rede
Do momento em que acorda até a hora de fechar os olhos para dormir, o universitário Rafael Carneiro está conectado à internet. Desses momentos, o mais proveitoso é quando pode se sentar no sofá e jogar on line com os amigos. Ou melhor, era o mais proveitoso.
Desde abril, a rede online da Sony, a Playstation Network (PSN), foi atacada por hackers e até hoje não voltou ao funcionamento normal. “Até ela cair não sabia que a usava tanto, ou fazia diferença assim no meu dia a dia”, conta Rafael.
A queda da PSN abalou as estruturas da empresa japonesa e deixou clara a dependência dos jogadores com a internet. “Por mais que jogar sozinho seja bom, nada se compara a uma jogatina com dezenas de pessoas via internet. Não há mais como separar as coisas”, afirma o estudante. Para o fim do desespero dos gamers, a Sony prometeu reativar os serviços até o dia 31 de maio.
ÓRFÃOS
Desde o último dia 20 de abril são mais de 70 milhões de órfãos. A queda da PSN expôs a dependência de milhares de jogadores, impedidos de jogar em comunidade, comprar jogos, atualizar softwares ou mesmo trocar mensagens.
A internet nos games não diz respeito apenas à possibilidade de jogar em rede online, mas do conglomerado de serviços que vêm junto. “Não poder se comunicar com o pessoal que você se fala toda semana ou não atualizar o sistema operacional do console dificulta”, reclama rafael.
No entanto, nem todos os jogadores são como Rafael. O estudante de engenharia mecânica, Lucas Schwab, 23 anos, que se define como Hardgamer (como são chamados os aficcionados por jogos), não deixou de curtir sua diversão por causa da queda na rede.
“Antes de todo o alvoroço das redes online, já jogava muito sozinho, ou mesmo com amigos na sala, o que convenhamos é muito melhor”, afirma Rafael.
FEBRE
A febre dos jogos online surgiu com os primeiros MMORPGS, popularmente chamados de jogos de estratégia em massa. Títulos como Diablo, Warcraft e Starcraft viraram febre e consolidaram de uma vez por todas a internet como meio essencial dentro do mundo dos games. Após isso, chegou a vez dos jogos de tiro tomarem conta das lan houses. Counter Strike foi o mais popular entre os brasileiros.
“Cheguei a passar madrugadas inteiras dentro de uma lan house para jogar. Gastei muito dinheiro com isso. Mas sempre foi um prazer jogar, hoje já deixei de lado, passou a fase”, conta Sérgio Dantas, outro gamer que não necessita da internet para se divertir.
Enquanto existem pessoas como Rafael que vivem pela internet ou como Sérgio e Lucas que não fazem questão dela, também há o tipo de jogador que rejeita a internet como algo imprescindível na hora de jogar. “Não acho que seja necessário. A experiência online é legal mas nada supera a experiência pessoa de se jogar um título e refletir sobre ele sozinho. Atualmente o pessoal se preocupa mais em juntar dez pessoas, atirar para todos os lados e pronto. Restam poucos que apreciam uma verdadeira experiência “single player”’, fala o contador Hugo Almeida, 22 anos.
DESENVOLVEDORES DE JOGOS
A internet não mudou apenas o modo de os jogadores se relacionarem, mas também o modo de fazer os jogos. Com o elemento “online” sendo preponderante para o sucesso de um título, não basta apenas colocar um modo multijogador, é preciso todo um planejamento para usar esse artifício a favor.
“A sociabilização é um fator muito importante. Tudo fica mais fácil e podemos nos relacionar por meio de um jogo. Mas é muito mais que isso, é mais do que juntar uma galera para jogar”, comenta Roberto Guedes, desenvolvedor de games de Give Me Five.
Para ele, poder vender jogos online e ter uma resposta dos clientes de maneira imediata é outro fator positivo que a rede trouxe. “Com a possibilidade de lançar jogos online o custo para o desenvolvedor abaixa significativamente, há mais espaço para quem quiser projetar e entrar no mercado”, Guedes.