Fenômeno obriga empresas a dar respostas mais rápidas
Allan Oliveria e Guilherme Fontes
O acesso às redes sociais caiu de vez no gosto popular e ganhou status de serviço de atendimento ao consumidor (SAC). O internauta já percebeu que uma mensagem ou vídeo nos sites de relacionamento pode trazer benefícios tanto na aquisição de um produto como na defesa de seus direitos.
O servidor público Oswaldo Boreli foi pioneiro no uso das redes para exigir seus direitos ao gravar um vídeo demonstrando sua insatisfação com uma empresa de refrigeradores. Segundo Boreli, a empresa lhe vendeu uma geladeira com defeito e não se prontificou a trocar o aparelho no período de três meses.
No vídeo postado no site Youtube, além de explicar o acontecimento, Boreli coloca o aparelho em frente a sua residência e estende uma faixa afirmando que a empresa trata mal os seus clientes. Além disso, ele estimula o espectador a acessar o seu perfil no Twitter para que a sua situação seja repercutida na internet.
Inspirada no caso de Osvaldo Boreli, a advogada Daniely Argenton resolveu dar publicidade ao mau serviço prestado por uma empresa de automóveis após adquirir um veículo modelo Mégane 2.0 com problemas no motor desde que saiu da concessionária. Depois de ficar quase quatro anos sem resolver o imbróglio, inclusive perante a Justiça, Argenton postou a reclamação no Youtube e também criou o site “Meu carro falha” dando detalhes do que ocorreu na compra.
A concessionária revidou e também entrou com uma ação judicial contra a cliente por danos morais alegando que a advogada estava expondo a imagem da empresa indevidamente. Entretanto, com o desgaste judicial e a repercussão do caso na internet, a concessionária retirou a ação e resolveu o problema de Argenton. Clique aqui para ver o desfecho do caso em uma nota publicada pela própria cliente no site.
RETORNO IMEDIATO
A jornalista e especialista em redes sociais Fabiana Borja afirma que essa tendência de usar as redes sociais como SAC se tornou real pela instantaneidade do retorno das empresas por meio da repercussão que o uso dessas ferramentas proporciona. “O consumidor realmente descobriu o poder das redes sociais porque as redes sociais estão fazendo com que as respostas das empresas sejam mais rápidas”, explica.
De acordo com Fabiana os usuários normalmente adotam esse comportamento e tomam a decisão de postar vídeos e mensagens na internet no sentido de “falar mal” do serviço prestado pelas empresas quando esgotam todas as formas de negociação amigável.
Nesse contexto, ela cita como fundamental a aprovação da reforma do Código de Defesa do Consumidor que está sendo discutida no Congresso Nacional e ainda não dispõe de artigos referente às relações de consumo na internet por ter sido criado em 1990.
“É importante principalmente pela questão jurídica porque tem muita gente que está indo para a internet reclamar e querendo ou não expõe a marca da empresa. Aí fica aquela briga judicial entre a empresa e o consumidor”.
Apesar do desgaste com a exposição de clientes e empresas nas redes sociais, a especialista está otimista. Ela aposta que a indignação demonstrada por ambos e a repercussão das queixas na internet serão fundamentais para conscientização e melhoria nas relações de consumo.
“Querendo ou não essas redes sociais forçam com que essas empresas sejam mais sérias, mais competentes e que elas principalmente comecem a atuar mais na questão da qualidade do produto e na forma como eles estão atendendo os clientes. Para o consumidor é muito bom porque ele está tendo a voz dele”.
Confira a entrevista com Fabiana Borja:

