Depois do lançamento do Art Project, especialistas brasileiros também pensam em formas de digitalização da arte
Priscila Magalhães
O Google conseguiu uma nova façanha. O site que revolucionou a rede mundial de computadores criou um meio de visitar virtualmente 17 dos mais importantes dos Estados Unidos e Europa.
A ferramenta, disponível desde fevereiro, permite visualizar mais de mil obras de arte, “andar” pelos corredores de museus como Metropolitan, Moma, Tate Gallery, ler sobre a história por trás de cada um dos quadros e criar coleções de arte.
A visitação online já tem inspirado nomes importantes da museologia brasileira, como o presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), José Nascimento Júnior. “Estamos procurando o Google América Latina para trabalhar nesta mesma direção”, conta. Para ele, a tecnologia deve ser usada para aproximar o público de experiências culturalmente enriquecedoras, como a visitação às memórias artísticas.
No Museu da República, no Rio de Janeiro, e no Museu de Artes e Oficios , em Belo Horizonte, já é possível fazer um passeio virtual. Mas Nascimento almeja a perfeição do método Art Project, adaptado do programa Street View, com o qual é possível fazer uma navegação de 360 graus, e obter uma noção melhor do que qualquer guia poderia oferecer.
A possibilidade de poder examinar obras famosas de pertinho, com uma intimidade concedida somente aos artistas que as fizeram, chamou a atenção de Margarete Lopes dos Santos, que dá aula de história da arte para alunos do segundo grau. Para um amante da arte, a riqueza de detalhes vistas por meio do programa chocam — até algumas sutilezas que normalmente não são visíveis ao olho humano.
Um exemplo disso são as pinceladas nervosas de Van Gogh, no quadro Noite estrelada, vistas centímetro por centímetro, ao dar um clique no zoom. Ou os pequenos pontinhos que compõe a maioria das pinturas de Chris Ofili , como em No woman no cry, situada do Tate Gallery, em Londres.
“Nós temos cd rooms e aparelhos de projeção. Porém, será muito mais vantajoso utilizar este programa. Não só a visualização da obra ficará mais clara, mas o reconhecimento dos espaços”, explica a professora, que ainda não começou a utilizar a ferramenta, mas já pensa na melhor forma de passá-la para seus pupilos.
O curador responsável pelas obras que circulam no Museu de Arte de São Paulo (Masp), Teixeira Coelho, não vê a ferramenta como o máximo da evolução, mas acredita na utilidade do instrumento. “Acredito que isso não se compara à emoção de ver uma obra em tamanho real pessoalmente”, explica. Para ele, uma das coisas mais valiosas de estar de corpo presente em um museu é a presença de outras pessoas ao redor. “Podemos compartilhar sentimentos ou a sensação de estar espremido em uma sala com várias pessoas. Tudo isso influencia a sensação ao ver a obra”, justifica.

