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Leitores se dividem entre o virtual e o contato nas livrarias

Publicado por Agência Iesb em 06/04/2011

Para o livreiro Chiquinho da UnB sua profissão não está ameaçada com a compra de livros online

Daniel Pinho  e  Adelson Portugal

Viciados por livros tiveram a vida facilitada pela internet. Hoje, é possível comprar praticamente todos os títulos pela web. Mas existem aqueles que não perderam o costume de freqüentar as livrarias e não abrem mão do prazer de comprar livros pessoalmente.

O jornalista, Ivan Santos, 40 anos, é leitor à moda antiga. Gosta de freqüentar livrarias, costuma passar tardes inteiras folheando obras, sem compromisso. Nas horas vagas até arrisca rabiscar o papel e escrever poesias como hobby. “Eu perco a hora dentro de uma livraria. Quando vejo, já estou atrasado para algum compromisso”, conta Ivan.

O estudante de publicidade, Alexandre Beltran, 22 anos, gosta de comprar livros via internet “por falta de tempo”. Mas afirma que não abre mão de freqüentar livrarias para ter o contato físico com o livro, sentir o cheiro dos exemplares novos, e apreciar a parte gráfica.

O historiador Claudinei Batista é um defensor do mercado de livros online, habituado a comprar e vender livros virtualmente, prática que o ajudou a concluir a faculdade. “Eu me cadastrei em um sebo online e comecei a comprar e vender livros, e assim vendia os livros que eu já havia usado, e comprava aqueles que eu precisava”, diz Batista.

Já o tradicional livreiro da cidade Francisco Carvalho, o Chiquinho da UnB como é mais conhecido, acredita que o mercado online o prejudicou, mas que sua profissão não está ameaçada com a chegada da nova tendência. Ele ressalta que sua clientela é fiel e que os anos de experiência o credenciaram para se manter no negócio.  ”Não sou apenas um vendedor de livros. Sou um livreiro, um conhecedor da área”, afirma.

Para Francisco os leitores adquirem o hábito de freqüentar livrarias na infância. “As pessoas que freqüentam nunca vão deixar de lado esse contato com o livro, e assim deixarão o legado para seus filhos que continuarão a tradição”, afirma.

Google Books

O Google Books é um dos vilões do Chiquinho da UNB, pois facilita a vida de quem não quer sair de casa e ir até a livraria. A página da web disponibiliza pequenos trechos de milhões das principais obras publicadas, para que os leitores degustem parte do livro desejado. Além do mais, ainda indica a loja onde o livro escolhido está disponível.

A seguir uma entrevista exclusiva com o livreiro Chiquinho da Unb. Confira.

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Livros encalhados, nunca mais

Publicado por Agência Iesb em 13/10/2010

Sebo virtual permite que leitores também vendam obras que antes ficavam encalhadas na estante

Por Daniel Andrade e Andrea Marques

Até bem pouco tempo vender livros usados, geralmente para sebos, significava entregá-los a um preço mínimo e recuperar, quando muito, 25% do valor pago na aquisição da obra. Com o surgimento de sites como o “Estante Virtual”, essa história começou a mudar para leitores de todo o país.

Rodrigo, cliente do Sebinho e usuário do Estante Virtual. Foto dos autores.

Criado há quatro anos, o “Estante Virtual”, site especializado no comércio eletrônico de livros usados, criou a possibilidade de leitores também venderem obras que antes ficavam encalhadas na estante ou entulhadas em um canto qualquer da casa, e o mais importante: pelo preço que acharem mais justo. Uma ótima maneira de tentar recuperar a maior parte do investimento realizado na sua aquisição.

Para fazer uso do site há regras a seguir. Leitores registrados podem cadastrar para venda o máximo de 100 livros e, assim como os sebos e os livreiros, estão sujeitos à avaliação de fatores como o estado de conservação das obras e a agilidade no atendimento. Por “livreiros” entenda-se vendedores de livros usados que não possuem um espaço físico e negociam seus livros exclusivamente por telefone, catálogos e, principalmente, internet.

Cadastrada no site há três anos, a pesquisadora *Viviane diz que passou a vender seus livros logo após sua primeira compra no site. Segundo ela, “um livro quase raro, esgotado em todos os cantos”. Foi quando percebeu a oportunidade de se desfazer de muitos livros caros que estavam parados em sua estante, acumulados ao longo de dois cursos de graduação e de uma pós-graduação, além de diversos livros pelos quais não tinha mais interesse.

“Os livros estavam entulhando minha casa e eu não conseguia me desfazer deles facilmente”, diz Viviane que, desde então, vendeu 25 de seus 57 livros cadastrados. Embora tenha vendido boa parte do seu acervo, a pesquisadora não acredita que isso possa se tornar fonte de renda, devido à instabilidade das vendas. “Os sebos sempre passam na frente de quem é leitor. Eles têm maior variedade e número. A vantagem do site é a maior circulação de livros no Brasil e o maior alcance do site”.

Essa opinião é compartilhada com Ana Beatriz, supervisora de vendas do Sebinho de Livros da 406 norte, um dos mais tradicionais sebos de Brasília. Há dois anos cadastrado no “Estante Vitual”, o Sebinho de Livros disponibilizou para venda nada mais nada menos que 7.040 livros.

Mesmo com tantos livros cadastrados, Ana Beatriz diz que as vendas pelo site ainda não tem representatividade no volume de negócios da empresa, uma vez que, em média, não ultrapassam seis títulos por mês. “A maior vantagem que a gente vê em estar cadastrado no site é a divulgação e a visibilidade que ele pode proporcionar à loja”.

O “Estante Virtual”, além de permitir que os leitores cadastrados vendam seus livros usados a outros leitores, oferece instruções detalhadas de como cadastrá-los, serviço de cálculo automático do frete e gerenciamento de compras e vendas efetuadas, entre outros. E o melhor: para leitores, é tudo de graça.

Para conhecer o site e saber como se tornar um leitor vendedor, acesse www.estantevirtual.com.br.

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Alforria para os livros

Publicado por Agência Iesb em 06/04/2010

Internet auxilia no incentivo à leitura com projeto de distribuição de livros em lugares públicos

Laís Braz e Kathlen Amado

Assim como a chegada da televisão causou medo nos amantes do rádio, para muitos a internet acabaria com os livros. Mas na prática a rede está ajudando também no incentivo à leitura.  Com mais de 6 mil adeptos no Brasil e 830 mil espalhados por 180 países o BookCrossing e seu lema de dar liberdade aos livros ganham a cada dia mais seguidores pela internet.

O projeto é um movimento de “libertação” de livros em lugares públicos como cafés, bares, praças, metrôs e museus, para que sejam encontrados por outros leitores.  O objetivo é espalhar pelas cidades livros para que todas as pessoas possam ler, “fazendo do mundo uma biblioteca”, na visão dos idealizadores do movimento. O projeto aposta que o livro é mais útil livre nas ruas do que preso em estantes das bibliotecas e salas de estar.

Já são mais de quatro vertentes da idéia que nasceu nos Estados Unidos, em meados de 2001. Os projetos Livro Livre, Perca um Livro, BookCrossing Brasil, Liberte um Livro e ainda o Livre para Voar começaram em São Paulo. Mas no Brasil os livros alforriados já passaram por todos os estados.

Os quatro projetos têm o intuito de levar mais cultura para a sociedade. As obras podem ser deixadas em banco de praça ou em eventos com a finalidade do usuário escolher qual publicação levar, mas com o compromisso de deixá-lo de volta em um lugar público após a leitura.

Para participar basta apenas ter um livro em mãos e vontade de participar. O doador da obra entra no site www.bookcrossing.com (em inglês) e cria um perfil, de graça. Com o livro em mãos, registra e anota na contracapa o código de identificação gerado pelo site.

Depois é só deixar o livro em espaços públicos como bancos de praça. Quem pegar o livro deve informar o paradeiro da obra no próprio site – o que permite que outros usuários sigam a trajetória do livro – e se quiser pode também registrar a sua opinião sobre a obra.

Para acompanhar os passos dos livros basta entrar com o código descrito na contracapa do livro para saber por onde anda o exemplar. Em outros projetos, os livros simplesmente não precisam ser rastreados, mas deixados por aí para serem encontrados e realizar a sua missão de levar conhecimento para os leitores.

DOM QUIXOTE

O funcionário público Raphael Lapa gostou da idéia e resolveu participar à sua própria maneira. “Ano passado deixei o livro Dom Quixote em uma praça da Ceilândia, mas não quis colocar o código nem nada”. Para ele o interessante nessa ação é poder dar a oportunidade a alguém de ler um livro que ele gosta, mas sem escolher o leitor. “Esse projeto é muito legal, assim sei que estou fazendo a minha parte apresentado bons escritores para as outras pessoas”.

Independente de qual projeto o livro participe todos possuem uma etiqueta, com uma frase para informar que o livro não pode ser comercializado e que o leitor não precisa ter medo ao levar o exemplar para casa, pensando que está roubando a obra. O texto “Carta de Alforria, a partir da data de distribuição o livro deve disseminar o saber, ampliar o conhecimento e formar opiniões” foi criado com o propósito de impedir a comercialização das obras. E é colada na contracapa de todos os livros para que sejam identificados como livros livres.

A história do administrador de empresas, George Harrison Marques, é bem parecida com a de Raphael. Ele deixou o livro “Caçador de Pipas” na rodoviária de Mossoró (RN), mas além do nome e data da compra, anotados com caneta esferográfica, não havia mais nenhum identificação.

Quem quiser participar não precisa encontrar primeiro um livro para depois soltá-lo. Basta pegar uma obra na estante de casa, escrever na contracapa: Livro Livre – não pode ser comercializado, e depois deixá-lo em algum lugar da cidade.

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