Busca de fontes, divulgação de manchetes e feedback dos seguidores são alguns dos recursos explorados por meio do microblog
Ester Guedes e Cibele Kamchen
Fundado há cinco anos por Biz Stone, Evan Williams e Dorsey, o microblog twitter comemora neste primeiro semestre do ano a marca de 200 milhões de usuários e uma média de 7 mil mensagens por segundo. O intuito dos criadores no início era proporcionar relacionamento interpessoal por meio de mensagens de texto semelhantes às enviadas via celular. O que explica o limite de 140 caracteres para cada postagem.
No entanto, esse espaço é, hoje, utilizado para diversos fins: maketing de celebridades, anúncio de notícias, desabafos pessoais, entre outros. A internet em geral trouxe inúmeros benefícios para grande parte das profissões. A possibilidade de acessar usuários com diferentes perfis ao mesmo tempo e bancos de dados dos mais variados são exemplos de ganhos pós-internet.
Como era de se esperar, jornalistas também utilizam essa ferramenta. Não se pode pensar em publicar uma notícia completa em um espaço de 140 caracteres, no máximo anunciar a notícia. No entanto, o twitter trouxe benefícios para o jornalismo.
Para o jornalista Leandro Fortes, da revista Carta Capital, “a questão fundamental é que a internet é um instrumento, não o ambiente de apuração. O repórter tem que continuar indo para a rua, tem que ouvir gente, sentir cheiros e ver coisas. E é preciso lembrar que, da mesma maneira que a internet nos coloca milhões de novas informações, também esconde muitas armadilhas perigosas. Por isso, é preciso checar rigorosamente o que se lê na rede”.
A internet veio para facilitar e proporcionar agilidade à comunicação e cumpre muito bem seu papel. Contudo, o jornalista não pode perder a vontade de sair em busca da notícia, do contato pessoal. “Quando se consegue fontes, é preciso sair da redação, conhecê-las, checar a credibilidade. A internet não é um lugar para conhecer fontes, mas apenas para, talvez, e em alguns casos, localizá-las. Repórter que fica na redação fazendo entrevista por e-mail ou “apurando” pelo Google, não vai a lugar nenhum,” sentenciou Leandro.
Segundo a produtora de TV, Débora Bravo, atualmente, é quase impossível trabalhar sem internet, pois ela é uma fonte de pautas, assuntos, conhecimento. Mas concorda que é preciso apurar com muito cuidado as informações colhidas.
Para auxiliar o encontro entre fontes e jornalistas, o Relações Públicas, Gustavo Carneiro, criou o perfil @ajudeumreporter. Quando regressou ao Brasil, após uma temporada na Europa, precisava retornar ao mercado da comunicação. Então, decidiu experimentar a iniciativa americana conhecida como crowdsourcing: uma junção das necessidades e das ofertas que depende de voluntários dispostos a ajudar na disseminação de conhecimento. Gustavo resolveu dedicar-se ao relacionamento com a imprensa.
O intuito inicial era acumular experiência em mídias digitais. O twitter foi escolhido por ser um meio rápido e barato. Em 5 minutos a conta foi criada e a idéia posta em prática.
Débora é uma das usuárias do perfil, além de ser usuária ativa da internet como meio de encontrar fontes. Ela procurou ajuda no perfil @ajudeumreporter recentemente, pois alega que algumas fontes são difíceis de serem descobertas e a rede facilita o encontro.
Gustavo comenta que já esperava o sucesso que a página faz graças a experiências fora do país. O site é utilizado por jornalistas recém formados e por outros já experientes na área. E, segundo Gustavo, ainda não houve nenhuma reclamação por não ter sido encontrada uma fonte. O intuito, no momento é melhorar ainda mais o serviço. “Não existem meios de garantir que alguém terá sucesso, o que podemos fazer de melhor é trabalhar para que essa comunidade seja crescente e tenha conteúdo de qualidade”, explica.
O cenário para a fonte, porém, é outro. Gustavo já recebeu queixas de fontes que não obtiveram feedback dos jornalistas após a publicação da matéria ou não tiveram resposta quando se dispuseram a falar. Para Gustavo, não é possível interferir nesse ponto, pois depende da disposição do próprio jornalista. Ele tentará amenizar esse problema com a plataforma que será lançada.
Em posições distintas, porém complementares, o que os três concordam é que a internet trouxe tanto benefícios quanto prejuízos à comunicação. Para o especialista em tecnologia e comunicação, Marcello Barra, a internet e as redes sociais intensificaram a condição natural da comunidade. “A sociedade já era complexa, mas a internet inaugurou uma nova complexidade.”
