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O repórter de política no rádio

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Produzindo notícia

O rádio possui diferenças em relação à TV na produção das matérias. Não há parafernália técnica, o que confere aos repórteres mais autonomia. Para acompanhar a dinâmica dos acontecimentos, Hérica Cristian, correspondente da Radio Tupi (RJ) há 12 anos, assinala que o repórter deve ser independente: “Ele tem que ser multifuncional. Eu apuro, escrevo, gravo e edito. Vai tudo pronto para a redação”.

As sonoras são apenas um elemento da reportagem. Portanto, as informações podem ser fornecidas em off. “A gravação dá mais credibilidade, mas a falta de áudio não te impede de passar a informação”, salienta Roseann Kennedy, há sete anos na CBN e responsável pelo boletim “Crônica do Planalto”.

A cobertura política na capital envolve muitas dificuldades, por isso, há uma espécie de simbiose profissional entre os repórteres. “Passamos sonora de um para o outro. Tudo no Congresso é muito longe. Pode haver uma autoridade dando uma declaração importante aqui e você estar em outro lugar, com outro entrevistado. Não é por isso que você vai deixar de fazer a matéria”, explica Roseann. Em média, os setoristas produzem de seis a oito matérias por dia.

A voz da informação: Aos que acham obrigatório ter uma voz perfeita para seguir carreira no veículo, Roseann Kennedy traz um alento: “Voz não é problema. É claro que é sempre bom ter o trabalho de uma fonoaudióloga, porque a entonação é importante para a qualidade da notícia.

Bebendo das fontes

Na cobertura para o rádio, as fontes podem representar o diferencial no trabalho. Políticos, tecnocratas e especialistas se amontoam pelos arredores do poder, restando ao jornalista apenas ‘identificar’ as pessoas certas. Para Hérica Cristian, “o melhor é recorrer a parlamentares ou a especialistas de fácil acesso, priorizando os mais objetivos e sucintos, e tendo sempre outra fonte em vista”.

Segundo os profissionais mais experientes, é necessário construir uma relação de confiança com as fontes, mas sempre lembrando que o compromisso do jornalista é com a verdade e o público, e, não, com a fonte ou o furo. “Por isso, mesmo que a fonte seja confiável, a apuração é indispensável”, emenda o jornalista Caiã Messina, que há mais de 15 anos cobre política para Radio Bandeirantes de São Paulo.

“Há políticos que falam muita besteira só para aparecer. Muitas vezes, eles ‘chutam’ sobre fatos, mentem e acabam te prejudicando”, destaca o repórter Fábio Marçal, da rádio Guaíba (RS), que cobre política há 25 anos. “Ter certeza total da veracidade é fundamental, do contrário, coloca-se a credibilidade em risco”, afirma.

Jornada de trabalho

“Full time!”. “É um casamento. Você tem que entrar de cabeça e saber que ele te consome o dia inteiro” “Sua jornada de trabalho começa ao acordar”. “A rotina no radio é não ter rotina”. Assim os entrevistados definiram a jornada de trabalho enfrentada diariamente.

Corban Costa, repórter da Radio Nacional AM, explica que a rotina do repórter é acordar cedo e verificar os principais jornais, blogues e sites do governo. “A gente se cadastra em todos os ministérios, na Câmara, no Senado, e todos nos enviam suas agendas e pautas”, diz.

Geração Google

Há quatro dias no Congresso, Victor Boyadjian, da Rádio Eldorado, ainda se deslumbra com a estrutura disponível aos profissionais de comunicação. “Boa, muito boa. Acho tudo completo e a sala de imprensa aqui oferece facilidade para o trabalho dos jornalistas”, diz Victor, um dos muitos calouros que se arriscam em um segmento cheio de nuances, exigências e que requer do jornalista bastante malícia e jogo de cintura.

No entanto, a inabilidade dos novatos é uma preocupação dos mais experientes. “As pessoas chegam despreparadas. Sem saber o mínimo de informação. Não há respeito à hierarquia dos cargos”, relata Hérica Cristian. De acordo com ela, os “focas” começam muito afoitos e acabam atropelando os entrevistados e os colegas de profissão. “Mas isso muda com alguns olhares e cutucões”, brinca.

Veterano do Congresso, Messina acredita que a garotada não está se preparando. “Eles têm preguiça. Não querem ler jornais e se interar do que acontece”, diz. Para ele, a internet contribuiu para formar a chamada geração Google: “A informação circula de forma mais rápida e tudo ficou mais fácil. Dessa forma, criou-se uma geração que não sabe apurar. Eles buscam tudo no Google”.

Salário

Brasília e São Paulo são os principais mercados para os jornalistas que desejam cobrir política para emissoras de rádio. O salário inicial, em média, fica por volta de R$ 1,5 mil. À medida que o profissional adquire experiência e credibilidade, há uma progressão salarial natural. O “calouro” Victor diz que, ao entrar na rádio Eldorado, ganhava cerca de R$ 1,2 mil, mas, com o tempo e muito trabalho duro, conquistou respeito na empresa e, hoje, recebe em torno de R$ 5 mil. Vale ressaltar que se tornar correspondente é considerado uma importante ascensão.

“Se vira nos trinta”

Quem cobre política em Brasília consegue trabalhar em qualquer lugar. Essa é a impressão dos profissionais que passam pela capital. ”Aqui você pega a malícia. O rádio é a grande escola, porque ‘rola a coisa’ do ao vivo”, destaca Roseann Kennedy, que frisou ainda a importância da improvisação no rádio. “Certa vez, em um depoimento do Palocci, ele se levantou para ir ao banheiro e estávamos transmitindo ao vivo. E ai? O que fazer? Você tem que falar. Comecei a resumir tudo o que foi dito até aquele momento. Só que, enquanto eu falava, o Palocci passou do meu lado. O segurança comecou a me puxar e eu estava ao vivo. Foi um confusão. No final, consegui passar a informação. Então, são experiências que somente um profissional de rádio vive”, relata.

Fabio Marçal acredita que um bom repórter é aquele que sabe improvisar e ter segurança no que faz: “O que não pode é ficar gaguejando ou cometer erros de português. O segredo é ser bem-informado”. Corban Costa, no entanto, alerta para o cuidado com o texto. “Ele tem de ser claro e simples para que todos possam entendê-lo”, completa.

Paixão e História

“Eu amo o rádio”. Roseann Kennedy é categórica ao revelar sua paixão pela profissão. Todos que trabalham com esse veículo de comunicação atribuem a ele uma espécie de sinergia única. Para eles, cobrir política para o rádio representa a oportunidade de executar um bom trabalho jornalístico e, principalmente, fazer parte da história.

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